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Governo lançará programa Bem Mulher em Pirambu


O trabalho de combate ao câncer do colo do útero e de mama ganhará um novo rumo a partir deste mês de fevereiro. No próximo sábado, 7, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) vai executar a primeira ação do programa Bem Mulher, na cidade de Pirambu, litoral norte de Sergipe. A iniciativa está voltada para o desenvolvimento de estratégias que contribuam para a redução da mortalidade e das repercussões físicas, psíquicas e sociais desses dois tipos de câncer que representam motivo de preocupação entre a população feminina.


De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Rogério Carvalho, o grande diferencial do Bem Mulher é a proposta de parceria que o programa estabelece aos municípios. “O Estado tem claramente definido qual o seu papel e, portanto, não pretende substituir as gestões municipais nas atividades de assistência à saúde da mulher. Nosso propósito não é o de fazer pelas prefeituras, mas de trabalhar com elas, fortalecendo a sua capacidade no campo da prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de colo de útero e do câncer de mama”, enfatiza.


Muitas experiências voltadas à prevenção dessas doenças já foram realizadas em Sergipe. No entanto, nenhuma delas conseguiu impactar os indicadores de saúde específicos. Para se ter uma idéia, apenas três dos 75 municípios sergipanos conseguiram atingir a meta de 30% de cobertura pactuada com relação aos exames preventivos para o câncer de colo de útero. “O insucesso dessas práticas está assentado no seu modelo de execução essencialmente assistencialista e sem atuação na construção da autonomia dos municípios”, explica Rogério.


Como vai funcionar


Nas semanas que antecedem a realização do Bem Mulher nos municípios, a SES capacitará os profissionais de enfermagem e mobilizará as cidades através de carros de som, propaganda em rádio e distribuição de panfletos pelas equipes de saúde com a data, os locais e o público ao qual se destina o programa, com a participação ativa dos agentes comunitários de saúde. Em Pirambu, os agentes receberam as orientações nesta segunda-feira, 2. Já a capacitação das enfermeiras do município está marcada para quarta-feira, 4.


No sábado, dia específico da ação, as atividades de mobilização estarão atreladas à realização do exame de Papanicolau para a detecção do câncer de colo uterino em todas as mulheres com idade entre 25 e 59 anos; à avaliação clínica das mulheres acima de 40 anos para o diagnóstico precoce do câncer de mama; e à disponibilização do tratamento de câncer para todas as mulheres que necessitarem.


O coordenador interino da Atenção Básica da SES, Carlos Adriano de Almeida, ressalta que as atividades do Bem Mulher não vão se resumir à realização de exames. “Todas as usuárias avaliadas durante a ação que demandarem acompanhamento, exames especializados, tratamentos cirúrgicos, quimioterapia e radioterapia entrarão no sistema de saúde sob a coordenação da Secretaria de Estado”, informa.


A cada edição do programa serão utilizadas salas equipadas com biombos (divisórias), mesas auxiliares, focos, mochos (bancos) e mesas ginecológicas. Os municípios serão os responsáveis pelas instalações físicas e equipamentos, além de disponibilizar seus profissionais de saúde da família. “Vamos contar com a equipe de cada local e com um grupo itinerante de 80 profissionais, entre gestores, enfermeiros, médicos, assistentes sociais, auxiliares de enfermagem e estagiários”, informa Carlos Adriano, acrescentando que, ao longo do ano, serão mobilizados cerca 6 mil profissionais.


DST e Planejamento Familiar


As doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o planejamento familiar também terão atenção especial no Bem Mulher. Com relação às DST, para a interrupção da cadeia de transmissão será realizada a abordagem sindrômica, que constitui o método mais rápido de identificação de um agravo. Como não necessita de recursos laboratoriais, o público atendido poderá ser tratado no momento da consulta. Esse tipo de abordagem se baseia na identificação de sinais e sintomas verificados no momento da avaliação clínica.


No que se refere ao planejamento familiar, o assunto será abordado juntamente com o tema das DSTs através de oficinas, como forma de garantir o direito reprodutivo da mulher, reconhecido em leis nacionais e documentos internacionais. As ações do programa nessa área também visam facilitar o acesso às laqueaduras tubárias – cirurgias para esterilização permanente e definitiva da mulher. De 2004 a 2006, a média desses procedimentos registrados pelo SUS em Sergipe era de 485 ao ano. Em 2007, esse número aumentou para 1.594 e no ano passado para 2.878.


“Com o Bem Mulher, pretendemos ampliar ainda mais esse índice, seguindo a legislação que, dentre outras disposições, trata do direito reprodutivo da mulher”, diz o coordenador interino da Atenção Básica, referindo-se à lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Ele explica que serão admitidas na fila para a realização da laqueadura tubária, as usuárias com mais de 25 anos de idade ou com pelo menos dois filhos vivos, após ter passado por orientações e ações educativas com equipe multidisciplinar, e depois de passados 60 dias da manifestação do desejo de realizar a esterilização.


Oficinas


Além da oficina sobre Planejamento Familiar e DST, o Bem Mulher vai trabalhar com mais duas oficinas temáticas: Saúde da Mulher e Relações de Gênero e Violência. “Através dessas atividades e de outras estratégias de educação popular com a utilização de elementos da cultura e arte, a gente pretende abrir junto à sociedade uma discussão profunda e abrangente em torno dos diversos aspectos determinantes da saúde da mulher, como trabalho e renda, relações de gênero e violência”, finaliza Carlos Adriano.