O que os dados sobre o câncer de mama no Brasil podem nos dizer

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O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento, que começou nos Estados Unidos, transformou outubro no mês de prevenção do câncer de mama. No mundo e no Brasil o câncer de mama é o que mais aflige a população feminina de uma forma geral.


Para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (74,30/100 mil), Sudeste (68,08/100 mil), Centro- -Oeste (55,87/100 mil) e Nordeste (38,74/100 mil). Na região Norte, é o segundo tumor mais incidente (22,26/100 mil).

“De fato, os números de câncer de mama no Brasil têm aumentado ao longo do tempo. A grande pergunta é se esse aumento se deve ao aumento real do câncer de mama ou ao maior desenvolvimento das armas de diagnóstico, e diagnóstico cada vez mais precoce dos cânceres de mama no Brasil”, ressalta o oncologista clínico, Nivaldo Vieira.  

O oncologista acredita que quanto mais precoce e quanto maior o número de câncer de mama diagnosticado numa população, isso não significa, necessariamente, que essa população tenha mais câncer de mama, mas que os métodos de diagnóstico de câncer de mama são mais eficazes.

“Nós entendemos com esses números brasileiros que ainda há uma certa camada de mulheres que possuem câncer de mama que precisam ser diagnosticadas. E há, sobretudo, um grande número de mulheres que precisam ser diagnosticadas de uma forma mais precoce. Então mesmo se nós já aumentamos a penetração das mulheres que conseguem fazer os exames de mamografia em tempo hábil, nós conseguimos enxergar que, infelizmente, há uma folga, ou seja, existe uma demanda reprimida e uma camada grande da população para qual as mulheres não chegam à mamografia em tempo hábil”, esclarece
Nivaldo, acrescentando ainda que há um atraso grande entre o agendamento da mamografia, o período que a mamografia será laudado e o período que a mulher vai conseguir levar esse exame ao mastologista.  

“Os números no Brasil já melhoraram. A forma que esses números estão sendo avaliados já melhorou, mas existe ainda uma folga. Quando a gente compara a região sul com a região nordeste entende que há praticamente o dobro do número de diagnosticados no sul em relação ao nordeste ou ao norte. E o que isso quer dizer? Que lá (no sul) tem mais câncer do que aqui (no nordeste)? Não! Provavelmente lá tem formas de diagnósticos mais eficazes que aqui”, enfatiza o oncologista clínico.

Fonte/Foto: Ascom Onco Hematos