Governo federal proíbe venda de bebida alcoólica nas BRs








Todos os dias, estima-se que 150 mil brasileiros, homens e mulheres, após ingerirem de quatro a cinco doses de bebida alcoólica, dirigem. Esse é o resultado da pesquisa realizada no ano passado pelo Vigitel (Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). Estatísticas como essa levaram o governo federal a editar, nesta segunda-feira (21), medida provisória que restringe a venda de bebidas alcoólicas em estradas.

O governo também vai encaminhar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, projeto de lei que altera o conceito de bebida alcoólica para aquela que contiver 0,5 grau Gay Lussac ou mais de concentração para efeito de propaganda desses produtos. Com isso, entram na classificação as cervejas, os ices, os coolers, a champanhe e o vinho.

“Essas ações são resultado da política de redução de danos deste governo. O país não pode assistir de braços cruzados centenas de pessoas, especialmente os jovens, morrerem todos os dias pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

O Vigitel consiste na realização e análise de entrevistas por telefone à população com 18 anos ou mais, nas capitais e Distrito Federal. Anualmente são realizadas 54 mil entrevistas, cerca de 2 mil por cidade estudada. O resultado de todo o inquérito do Vigitel em 2007, que monitora essencialmente doenças crônicas não-transmissíveis, será divulgado em março deste ano. O sistema é realizado pelo Ministério da Saúde com a colaboração do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo.

Neste resultado preliminar, o Vigitel apresenta o comportamento da população sobre o consumo de bebidas alcoólicas, num comparativo entre as pesquisas realizadas em 2006 e em 2007. A freqüência de adultos que consumiram nos últimos três meses quatro doses (mulheres) ou cinco doses (homens) de bebidas alcoólicas em um único dia, configurando o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, aumentou de 16,1% em 2006 para 17,5% em 2007 na população geral.

O indicador do consumo excessivo de bebidas alcoólicas mede a freqüência de indivíduos que, nos últimos trinta dias, ingeriram mais de quatro doses (mulheres) e mais de cinco doses (homens). Considera-se dose de bebida alcoólica uma dose de bebida destilada, uma lata de cerveja ou uma taça de vinho.

O Vigitel também revelou que os adultos jovens com idades entre 18 e 24 anos formam o perfil da população que mais ingere bebidas alcoólicas nas capitais brasileiras. A partir dos 45 anos de idade, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas declina progressivamente até chegar a 5% dos homens e 1% das mulheres com 65 ou mais anos de idade. Em ambos os sexos, a freqüência do consumo abusivo de bebidas alcoólicas pouco varia com o nível de escolaridade das pessoas (leia no gráfico abaixo).

Vigitel
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis representam um dos principais desafios de saúde para o desenvolvimento global nas próximas décadas. Há evidências científicas de que essas doenças podem ser controladas por meio de ações que previnam os seus principais fatores de risco: consumo de tabaco, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo abusivo de álcool, obesidade, hipertensão arterial e diabetes. Por isto a importância de monitorar a freqüência, evolução e distribuição desses fatores na população brasileira.

O Ministério da Saúde, com a colaboração do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, implantou no ano de 2006 o Vigitel com o objetivo de produzir, com qualidade e agilidade, dados sobre a freqüência, evolução e distribuição dos principais fatores de risco para doenças crônicas no Brasil, contribuindo para a definição de políticas públicas. Esse monitoramento foi realizado em 2006, 2007 e será feito anualmente, trazendo dados atualizados sobre estes fatores de risco. Sistema semelhante existe nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos, sendo pioneira a operação num país em desenvolvimento.