CASOS DE LINFOMAS SÃO SUBESTIMADOS EM SERGIPE

Canal Viva Bem








Dr. Emerson Eulálio fala sobre o linfoma.
Cerca de 150 estudantes e profissionais da área de saúde participaram na noite de quinta-feira 4/8, da palestra “A visão do clínico sobre as doenças linfoproliferativas”, proferida pelo doutor em Ciências Médicas pela Unifesp e hematologista da Hemoce, Emmerson de Sousa Eulálio.


O evento, promovido pela Clínica OncoHematos, fez parte de uma campanha nacional “Juntos contra o Linfoma” apoiada pela ABHH ( Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia ) e pela ABRALE ( Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia ) buscando a sensibilização da classe médica, profissionais da área da saúde e da população em geral quanto conhecimento sobre a doença.


O linfoma é um tipo grave de câncer do sangue, que afeta principalmente os linfonodos ( “ínguas”). De acordo com o médico Emmerson de Sousa Eulálio, a doença pode surgir em qualquer parte do corpo e em qualquer faixa etária, sendo relativamente mais comum em homens, adultos, tendo o pescoço, axilas e virilhas os locais mais freqüentes de acomentimento. Além disso, qualquer pessoa esta sujeita a ter um linfoma, seja por causas genéticas, ambiental, pela presença de condições inflamatórias e até mesmo por condições geográficas : “Pessoas com sistema imune comprometido, doenças genéticas hereditárias, infecção pelo HIV, uso de drogas, têm risco um pouco maior de desenvolver a doença. Exposição a produtos químicos como herbicidas e solventes”, pontuou.


Segundo Dr. Emmerson, existem vários tipos de linfoma que podem ter vários graus de agressividade. Eles podem ser divididos em dois grupos, o linfoma de linfoma de Hodgkin e linfoma de não-Hodgkin. Os primeiros ocorrem em um tipo de célula linfoíde conhecido como célula de Reed-Sternberge, os segundos são mais comuns e podem surgir em outras células do sistema linfático.


Diagnóstico e sintomas


O médico Emmerson Eulálio explicou que um dos primeiros sinais do linfoma é a presença de linfonodos aumentados, na maioria das vezes não dolorosos, associados ou não a sintomas como febre, emagrecimento, prurido e sudorese noturno.


Quando isso ocorre, o paciente precisa ser submetido a vários exames para avaliar as características, a dimensão, sensibilidade e a forma do linfonodo. “Uma série de exames devem ser aplicados para descartar várias suspeitas como as causas infecciosas. Quando existe a suspeita real do linfoma, a biópsia de todo o linfonodo é o exame necessário para se fazer diagnóstico do linfoma.


Feito o diagnóstico, o próximo passo é identificar outras áreas possivelmente afetadas pelo câncer. Para isso são necessários vários exames de imagem para realizar o estadiamento da doença, ou seja, avaliação de sua extensão naquele paciente, exames como tomografias computadorizadas, ressonância nuclear magnética, cintilografia com gálio 67 e PET-CT, pontuou.


Tratamento


Dr. Emmerson explicou que existem várias modalidades de tratamento dos linfomas dependendo do tipo específico do linfoma, mas de forma objetiva, o recurso mais utilizado é a quimioterapia frequentemente associada a imunobiológico, e radioterapia.



Estatísticas


De acordo com Dr. Emmerson, no Brasil não existem números exatos de quantas pessoas já tiveram linfoma. No entanto, em um país como os Estados Unidos, a incidência desse câncer é preocupante. “Só em 2007, 400 mil pessoas receberam algum tipo de tratamento para linfoma nos Estados Unidos”, pontuou.


Segundo a hematologista e hemoterapeuta da Onco Hematos, Juliana Brunow, todos os anos o INCA ( Instituto Nacional do Câncer ) faz o levantamento das neoplasias mais freqüente no Brasil, e os linfomas não aparecem entre os 10 tipos mais comuns de câncer no Brasil. “Será que realmente nossa população é diferente e tem menos linfoma, ou não estamos fazendo diagnóstico dos linfomas?”, questionou.


Juliana Brunow informou que não existem dados concretos para o estado de Sergipe sobre a incidência dos linfomas. “Há uma estimativa para Sergipe que em 2009, houvessem cerca de 300 casos da doença. O número de pacientes tratados não chegou a 100. Onde estão os outros pacientes? “, informou.