Setembro Amarelo: Viva Bem entrevista psicóloga para falar sobre o suicídio

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O Brasil é o oitavo país com o maior número de suicídios. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 32 brasileiros morrem diariamente vítimas de suicídio. Os dados são ainda mais alarmantes em relação aos jovens. O suicídio mata mais pessoas entre 15 e 29 anos do que o HIV em todo o mundo.

O comportamento suicida envolve fatores sociais, psicológicos e outros que podem ser combatidos. Por isso, setembro foi escolhido pela Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, o mês de combate ao suicídio com a campanha Setembro Amarelo.

De acordo com a psicóloga Janine Martins Cardoso, o suicídio é um grave problema de saúde pública e a cada ano que passa o número de pessoas que cometem suicídio aumenta, principalmente no número de jovens e crianças. “Temos dois casos só nesse mês de agosto de crianças de 11 anos que tentaram suicídio. Então é essencial que o suicídio seja discutido, pois esses dados são alarmantes. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, falar sobre o suicídio não estimula a cometer o suicídio, pelo contrário, falar sobre o assunto pode fazer com que alguém reflita que precisa se cuidar e procurar ajuda com algum psicólogo, psiquiatra ou até mesmo fazer uma terapia”, informa.

A psicóloga ainda destaca que causas das tentativas de suicídio são variadas. “Muitos pacientes que tentaram suicídio estão com depressão, conflito familiar, ou seja, tem os motivos contextuais e os motivos imediatos. Por exemplo, uma pessoa que tem depressão e perde um paciente, pode ter uma recaída e pensar no suicídio. Mas são motivos variados, esse é só um dos exemplos”, disse Janine Martins.

Segundo a psicóloga, dependendo do grau da doença, a pessoa pode consegui disfarçar e o suicídio acaba acontecendo sem nem mesmo a família desconfiar que algo poderia acontecer. “Muitas pessoas tentam sair da depressão apenas com medicamentos, como os antidepressivos, mas só isso não irá resolver o problema, pois é preciso também o apoio da família para entender a situação da pessoa e principalmente tem que ter o acompanhamento do profissional de psicologia e ter também uma rotina de atividades físicas e uma boa alimentação”.

Outro ponto debatido foi a questão da cobrança nas crianças, que pode acarretar uma grave depressão. “Essa sociedade cobra demais da criança, que é exigida desde muito pequena, a sempre tirar boas notas, sempre fazer as coisas que te pedem, então, cobrança demais a uma criança pode acabar sendo um fator para gerar uma depressão enquanto criança ou até futuramente. É preciso saber conversar e não desmotivar a criança quando ela errar em algum momento, pois errar é humano”, finalizou.

Fotos: Divulgação/VivaBem