Por enquanto, não há casos de febre amarela registrados em Sergipe

Canal Viva Bem


Uma equipe do Laboratório de Saúde Pública de Sergipe está monitorando e investigando possíveis casos de febre amarela e outras endemias como a dengue e malária no Estado. Após 20 dias de investigações e ensaios realizados em várias amostras de sangue colhidas de pessoas de todo o Estado, os profissionais tranqüilizam a população e asseguram que até o momento não há registros de febre amarela em Sergipe.


A investigação das doenças é realizada pela Coordenação de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Laboratório de Referência Nacional, Instituto Evandro Chagas (IEC), localizado no Estado do Pará, e com a Fundação Fiocruz, no Rio de Janeiro. Ambos recebem do Laboratório Central sergipano os ensaios realizados a partir de amostras de sangue colhidas nos pacientes pelos médicos nos postos de saúde da capital e pelos médicos de Saúde da Família (PSF) no interior do Estado.


De acordo com o biomédico Carlos Henrique Lordelo, gerente do laboratório de Zoonoses do Laboratório Central, há apenas alguns casos de dengue, malária e esquistossomose confirmados. “O Laboratório vem pesquisando e monitorando as áreas próximas às matas, florestas e manguezais, que são os ambientes propícios ao desenvolvimento do transmissor da febre. É importante lembrar que a doença também pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue”, afirmou Lordelo.


Vacina


O biomédico disse ainda que os testes de sorologia para febre amarela dão resultados seguros quando o sangue é colhido a partir do sétimo dia. De acordo com Carlos Henrique, não há motivo para pânico da população em relação à febre amarela no Estado, uma vez que a forma urbana está erradicada e a forma silvestre controlada.


Segundo informações da gerente de Zoonoses da SES, Sidney Sá, o Estado já recebeu do Ministério da Saúde (MS) na última segunda-feira, 14, cinco mil doses da vacina contra a febre amarela, e está esperando uma nova remessa.


Sobre a doença


A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África. Os sintomas são febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).


A doença é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. Não existe a transmissão de pessoa para pessoa. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.


A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.


A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos).


Internacional


A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou quinta-feira, 17/1, os casos de febre amarela no Brasil como “evento de saúde pública de importância internacional”. A classificação, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode mudar as exigências para turistas e viajantes brasileiros que vão para o exterior.