POLUIÇÃO AMBIENTAL

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Possibilidade de suicídio aumenta no verão, devido ao crescimento dos níveis de ozônio


Um estudo sobre o impacto da elevação do nível de ozônio no verão foi realizado por pesquisadores (Biermann et al., 2009) da Alemanha. Esse estudo será publicado na revista “Medical Hypotheses” em março de 2009.



Os autores comentaram que estudos anteriores identificaram que o número de suicídios aumenta no verão. Porém, faltavam estudos que evidenciassem os fatores promotores dessa associação. Então, os autores partiram para comprovar a hipótese de que os níveis de suicídio aumentariam no verão quando houvesse níveis mais elevados de ozônio.



O ozônio (O3) é um gás instável que se forma quando as moléculas de oxigênio (O2) se rompem devido à radiação ultravioleta e se unem com três moléculas de oxigênio. Os níveis de ozônio aumentam devido à elevação da temperatura e poluição do ar.




A hipótese foi testada em dados de 1008 suicídios e 917 tentativas de suicídios entre 2004 e 2007, ocorridos na Alemanha. Uma taxa de suicídio mais alta pôde ser observada durante o verão, nos períodos em que os níveis de ozônio foram mais altos.



Segundo os autores, esse fenômeno inclui aspectos sociológicos, biológicos e psicológicos. Sociologicamente, o suicídio pode ser influenciado através de variáveis climáticas como o tempo ou a poluição do ar, que modificam os níveis de ozônio na atmosfera. Níveis de ozônio mais elevados causam fadiga ou sintomas cárdio-respiratórios, que alteram o bem-estar individual e podem corroboram com a decisão de colocar fim a própria vida.



Biologicamente, o ozônio pode alterar o sistema imune, rebaixando as defesas do organismo; é um irritante poderoso do complexo sensomotor trigeminal (parte do tronco encefálico cerebral responsável pela cordenação motora e sensorial); e causa alterações no sistema neurotransmissor do cérebro, como a serotonina, relacionada à impulsividade, agressão, depressão e ao comportamento suicida. Respectivo aos fatores psicológicos, os autores explicaram que o verão torna as pessoas mais desinibidas, agressivas e violentas, aumentando a possibilidade de atos suicidas quando da exposição a um maior nível de ozônio.



Ademais, os autores colocaram que um nível mais elevado de ozônio causa fadiga, dificuldades respiratórias, tosse ou vertigem até mesmo em pessoas saudáveis, restringindo as atividades diárias. Tais restrições também podem contribuir para estados de depressão ou outras condições psiquiátricas que podem redundar em comportamentos suicidas.



Assim, esse estudo alerta que o aquecimento global, que vem aumentando as temperaturas da Terra nos últimos anos, apresenta repercussões sociobiopsíquicas às pessoas. O aquecimento global é uma decorrência da destruição ambiental e da poluição que o ser humano está ocasionando ao planeta. Portanto, tais danos ao ambiente ocasionam prejuízos variados ao próprio ser humano, que inclui o aumento do número de suicídios por causa da ampliação dos níveis de ozônio no ar.



Referência


BIERMANN, T. et al. The hypothesis of an impact of ozone on the occurrence of completed and attempted suicides. Medical Hypotheses, v. 72, n. 3, p. 338-341, mar. 2009.



Autor: Marli Appel – Equipe SIS.SAÚDE


Fonte: Medical Hypotheses