Outubro Rosa: oncologista esclarece dúvidas sobre o câncer de mama

Canal Viva Bem

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce. Como forma de esclarecer a população sobre a doença, a Clínica Onco Hematos trará durante esse mês, entrevistas com os médicos oncologistas da clínica para abordar diversos assuntos que envolvem a doença.


Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa para o Brasil, biênio 2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer. Excetuando-se o câncer de pele não melanoma (aproximadamente 180 mil casos novos), ocorrerão cerca de 420 mil casos novos de câncer. O perfil epidemiológico observado assemelha-se ao da América Latina e do Caribe, onde os cânceres de próstata (61 mil) em homens e mama (58 mil) em mulheres serão os mais frequentes.
Nas mulheres, os cânceres de mama (28,1%), intestino (8,6%), colo do útero (7,9%), pulmão (5,3%) e estômago (3,7%) figurarão entre os principais. Para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres.

Para o oncologista clínico da Onco Hematos, Dr. André Peixoto, o autoexame ainda é uma ferramenta útil mas não serve como diagnóstico. “Com o autoexame é fácil identificar alguma lesão, mas infelizmente o autoexame já detecta lesões em torno de 2 a 3 centímetros, que já é considerado um tamanho moderado ou de grande lesão. Apesar de não ser diagnóstico, é importante o autoexame, porque muitas pacientes não têm acesso muito fácil aos exames de rastreamento da doença: a mamografia, que é preconizada tanto pelo Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional do Câncer, como pela Sociedade Brasileira de Mastologia”, explica.

Com relação à idade para se fazer a mamografia, o oncologista destaca que ainda há conceitos diferentes. Enquanto o Ministério da Saúde preconiza que a mulher deve fazer o exame a partir dos 50 anos e a cada dois anos, a Sociedade Brasileira de Mastologia define que a melhor idade é a partir dos 40 e repetir o exame anualmente. “Como vimos que há um crescimento da quantidade de mulheres jovens sendo diagnosticadas com a doença, a impressão que a gente tem quanto oncologista, é que quanto mais precocemente melhor, e nas mulheres que já tem histórico familiar, o melhor é começar a mamografia a partir dos 35 anos”.

Apesar do crescimento do número de mulheres jovens com a doença, ainda não é tão comum ver mulheres com 20 ou 30 anos com a doença. Para o oncologista, esse índice com relação à idade não é tão frequente, mas em pacientes com histórico familiar, há um crescimento e uma incidência maior da doença em mulheres jovens.

Causas do Câncer de Mama

Dr. André Peixoto ainda explica que existem algumas teorias para tentar definir o que pode causar um câncer de mama. “O câncer como doença é uma alteração da célula normal, então qualquer câncer surge numa célula normal e dá origem a uma célula anormal que vai se ploliferar rapidamente. O gatilho para essa transformação acontecer é que não temos muito definido, em alguns tipos de doença temos o conhecimento do gatilho, ou seja, o que faz aquela célula se transformar em uma célula cancerígena ou neoplásica. Com relação ao câncer de mama, nós médicos temos uma ideia do que pode levar uma mulher a ter essa célula anormal”, ressalta.
Dentre os fatores que podem gerar um câncer de mama estão: fatores genéticos ou hereditários, reprodutivos ou hormonais e os fatores ambientais ou comportamentais.

De acordo com o oncologista clínico André Peixoto, no câncer hereditário existe uma mutação genética que é passada para as gerações subsequentes e a paciente pode desenvolver, mas essa é uma parcela muito pequena da população, ou seja, uma parcela pequena das mulheres vão desencadear um câncer somente porque tem uma alteração genética. “Já os fatores externos e ambientais estão relacionados com o estilo de vida e com algumas alterações como obesidade, falta de exercícios físicos (sedentarismo), o uso de bebida alcoólica, o tabagismo, e esses fatores comportamentais ou ambientais estão diretamente relacionados com a formação de outros tumores não só o tumor de mama”.

Também existem os fatores relacionados com a história reprodutiva e hormonal da paciente, que pode desencadear um grande risco de câncer de mama. “As mulheres que têm uma exposição ou um estímulo hormonal por um tempo mais prolongado podem desenvolver câncer de mama com mais facilidade, como por exemplo, aquelas que começaram a mestruar muito cedo e pararam de mestruar muito tarde. Outro fator de risco é aquela mulher que não teve filhos ou que não amamentou, pois a gente sabe que a amamentação é uma proteção da mãe também, que está relacionada com a estimulação hormonal. E por último, o uso de anticoncepcionais ou alguma terapia de reposição hormonal, pois o excesso de algum hormônio, seja ele no anticoncepcional ou na terapia de reposição na menopausa, também pode está associado com o câncer de mama”, esclarece.

Fonte/Foto: Ascom Onco Hematos