LACEN

Canal Viva Bem


Foto: Márcio Garcez


Na guerra de combate à dengue, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) tem contado com uma arma adicional, aliada ao trabalho de campo feito pelos agentes de endemias. O Laboratório Central de Saúde Pública Parreiras Horta (Lacen) vem utilizando uma armadilha especial para detectar a presença de focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, ainda na fase de ovos.


Tecnicamente chamada de Ovitrampas, a armadilha é confeccionada pelo Laboratório de Entomologia do Lacen, a partir de um simples vasilhame de plástico, contendo uma palheta de eucatex e uma solução à base de feno (ração animal semelhante ao capim e muito utilizada em regiões e países frios). “O cheiro da solução e a cor preta do vasilhame acabam atraindo a fêmea do mosquito para a postura dos ovos”, explica a gerente do setor, a bióloga Catarina Zita Dantas de Araújo.


Ela lembra que cada fêmea adulta do Aedes aegypti pode depositar, em sua única postura, cerca de três mil ovos. “Já constatamos palhetas aqui com até 540 ovos”, informou Catarina. O uso das Ovitrampas alcança importância no controle do vetor diante da constatação de que os ovos do mosquito adquirem resistência de forma rápida, apenas 15 horas após a postura, segundo revelam pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde (MS). Estudos recentes da Fiocruz demonstram também que os ovos podem permanecer por até um ano em condições adversas, sem contato com água, e, mesmo assim, dar origem a mosquitos.


Segundo a bióloga, a pesquisa e coleta dos ovos são feitas por bairro, durante o período de quatro semanas consecutivas. “A cada intervalo de dois dias, caso haja a presença de ovos, substituímos as palhetas do pote instalado nos imóveis. Depois as recolhemos para análise e as informações da contagem dos ovos são transformadas em mapas que indicarão as áreas infestadas pelo mosquito”, explica a entomologista. O resultado é enviado periodicamente para o MS e para a Coordenação de Vigilância Epidemiológica da SES.


O serviço é feito em Sergipe exclusivamente pelo Lacen e está integrado ao Programa de Controle da Febre Amarela e Dengue (PCFAD) do Ministério da Saúde. “Para o governo federal, além dos relatórios técnicos, também encaminhamos as amostras coletadas para estudos de controle químico que verificam e determinam, por exemplo, a eficácia dos inseticidas usados no combate ao vetor”, acrescentou a gerente do Laboratório de Entomologia.


Pesquisas


Desde agosto do ano passado que o Lacen vem implantando as armadilhas em Aracaju, atingindo praticamente todos os bairros. Em dezembro, foi encerrada a fase de coleta e a análise nos bairros 18 do Forte, Conrado de Araújo e Siqueira Campos. Em 2007, a pesquisa já havia chegado ao município de Itabaiana, na região Agreste do Estado.


O índice de infestação do ambiente pelo mosquito, calculado a partir das Ovitrampas, atinge geralmente valores superiores aos indicados na pesquisa larvária, que consiste na vistoria dos domicílios pelo agente de endemias para a procura de possíveis criadouros, coleta e posterior identificação das larvas do mosquito. Segundo Catarina Zita, somente nos meses de setembro e outubro de 2008, foram implantadas na capital 798 armadilhas. “Desse total, 452, ou seja, 54,4%, apresentaram positividade para a presença de ovos do Aedes aegypti”, informou.