
O filme Toy Story 5, em cartaz cinemas do Brasil, conta o desafio que os brinquedos tradicionais enfrentam para reconquistar a atenção da personagem Bonnie diante de seu encantamento pelos jogos digitais. Na vida real, esse também representa um grande desafio e que merece o olhar atento dos pais. A professora dos cursos de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Aline Eleuterio Matos, destaca os impactos que o vício digital pode exercer nas funções cognitiva e socioemocional das crianças e como os jogos tradicionais podem fazer falta para o desenvolvimento de certas habilidades.
“Enquanto os jogos digitais são mais estruturados para partidas curtas, com feedback imediato, exigindo maior atenção seletiva e alternada em razão da necessidade de responder rapidamente a múltiplos estímulos visuais e mudanças constantes na tarefa, muitos jogos de tabuleiro envolvem estratégias mais elaboradas, regras que demandam aprendizagem e tomada de decisão ao longo da partida. Habilidades como atenção sustentada, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva são mais exigidas, características essencialmente presentes nos processos de aprendizagem e construção do conhecimento”, explica a docente da UMC, especialista em Orientação a Queixa Escolar pela Universidade de São Paulo (USP) e mestra em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Para além das questões cognitivas, o excesso de telas produz impactos socioemocionais, como alerta Aline: “A exposição exagerada a estímulos rápidos e altamente recompensadores presente em muitos jogos eletrônicos pode favorecer uma maior busca por gratificação imediata e reduzir a persistência diante de tarefas que exigem esforço contínuo e adiamento de recompensas. Nas relações familiares e escolares, o uso desequilibrado das telas também pode reduzir oportunidades de interação presencial, resolução de conflitos e desenvolvimento de habilidades como a empatia e a comunicação, incluindo a não verbal, a cooperação e o respeito às regras, além do desenvolvimento motor, com brincadeiras que envolvem movimento e manipulação de objetos. Esses são impactos que estão relacionados principalmente ao excesso de uso e à falta de mediação dos adultos do que aos jogos eletrônicos em si”, explica.
Uma forma de diminuir essa preferência pelos jogos digitais é oferecer experiências igualmente significativas e envolventes às crianças: “Os jogos são atrativos porque apresentam desafios graduais, objetivos claros, feedback imediato, sensação de progresso e autonomia. Esses mesmos princípios podem ser aplicados ao contexto escolar por meio de metodologias ativas, aprendizagem baseada em projetos, gamificação, atividades colaborativas e propostas que despertem a curiosidade e o protagonismo dos alunos, e ao contexto familiar, quando há o engajamento dos pais em momentos de qualidade com seus filhos para brincar, conversar, ler, praticar atividades físicas, proporcionando experiências reais que também despertem interesse, curiosidade, senso de competência e pertencimento”.
A docente da UMC ressalta que o problema não é o meio digital em si, mas o tipo de jogo, o tempo de uso e o equilíbrio com outras experiências fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança.
Confira dicas da especialista da UMC às famílias:
– Apresente os jogos tradicionais como uma oportunidade de diversão e convivência, e não como uma obrigação ou punição.
– Reserve momentos da semana para jogos de tabuleiro e brincadeiras em família com a participação ativa, já que o envolvimento tende a aumentar o interesse das crianças.
– Mantenha jogos, livros e brinquedos acessíveis, tornando-os opções naturais de entretenimento.
– Estabeleça horários e limites claros para o uso das telas e jogos digitais, buscando ampliar as oportunidades de interação, movimento, criatividade e convivência.
Texto: Assessoria de Imprensa – Fiamini – Soluções Integradas em Comunicação | Ex-Libris Comunicação Integrada – a serviço da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC)
Foto: Banco de Imagens/Freepik



