A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), reforçou o trabalho de busca ativa realizado pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), estratégia voltada à identificação de situações de vulnerabilidade e ao encaminhamento de pessoas em situação de rua ou em risco social para a rede de proteção do município. A atuação das equipes ocorre de forma contínua e busca compreender as necessidades de cada pessoa abordada, estabelecendo vínculos e identificando os serviços mais adequados para cada situação.
Entre os pontos acompanhados pelo SEAS está a região da Rodoviária Nova, onde as equipes costumam realizar ações voltadas à identificação de demandas relacionadas à migração e ao fluxo de pessoas, além de questões ligadas aos cuidados básicos de saúde e ao acesso aos serviços socioassistenciais. A atuação no local permite identificar pessoas em situação de rua ou em condições de vulnerabilidade e realizar os encaminhamentos necessários à rede de proteção social do município.
Tipificado pela Política Nacional de Assistência Social, o SEAS atua diretamente na identificação e no acompanhamento de pessoas que vivenciam situações de vulnerabilidade. Em Aracaju, o serviço integra a estrutura da Semfas e funciona de forma articulada com equipamentos como o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAs) e a Central de Abordagem Social, garantindo atendimento contínuo e integrado.
A referência técnica do SEAS, Aline Rocha, explica que o principal objetivo da equipe é construir vínculos com os usuários e garantir o acesso às políticas públicas de forma humanizada, respeitando o tempo e a autonomia de cada pessoa.
“O Serviço Especializado em Abordagem Social é tipificado pela Política Nacional de Assistência Social e atua diariamente para identificar vulnerabilidades e apresentar os serviços disponíveis. Nosso papel é fazer o cuidado, a escuta qualificada e a vinculação dessas pessoas à rede de proteção social, sempre respeitando a vontade do usuário. Nós não fazemos retirada compulsória. A legislação garante o direito de ir e vir, então trabalhamos para que, quando essa pessoa decidir acessar os serviços, ela encontre uma rede preparada para acolhê-la”, explicou.
Segundo Aline, o trabalho é desenvolvido de forma integrada com outros equipamentos da Semfas e com diferentes políticas públicas, como saúde, educação e qualificação profissional. A população também pode acionar os canais oficiais da secretaria sempre que identificar alguém em situação de vulnerabilidade precisando de atendimento.
Em Aracaju, a rede municipal conta com duas Casas de Passagem — Acolher e Freitas Brandão — destinadas ao acolhimento institucional de pessoas em situação de vulnerabilidade. Atualmente, as unidades estão com a capacidade preenchida, cenário que demonstra a alta demanda pelo serviço e reforça a importância da atuação articulada da rede socioassistencial.
De acordo com Aline, o encaminhamento para acolhimento ocorre mediante o interesse do usuário e a disponibilidade de vagas, seguindo o fluxo estabelecido pela Central de Regulação e respeitando a autonomia de cada pessoa.
Embora a ação tenha sido concentrada na Rodoviária Nova, o trabalho do SEAS acontece diariamente em diferentes regiões da capital. As equipes realizam abordagens na Rodoviária Velha, nos terminais de integração da Rodoviária Nova, Maracaju, Centro e Mercado Central, além da Avenida Brasil, Rua Paraíba, Avenida Rio Grande do Sul e outros pontos onde há registros de pessoas em situação de vulnerabilidade ou demandas encaminhadas pela população, pela Ouvidoria e pela rede de proteção social.
Durante as abordagens, os profissionais realizam escuta qualificada, identificam vulnerabilidades, atualizam cadastros e promovem encaminhamentos individualizados. O atendimento contempla desde a identificação de migrantes recém-chegados ao município, com avaliação sobre acolhimento provisório ou retorno à cidade de origem, até encaminhamentos para serviços de saúde, emissão de documentos, benefícios e demais políticas públicas.
A atuação ocorre de forma integrada com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio do Consultório na Rua, das Unidades Básicas de Saúde (UBS), dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e do Hospital e Maternidade Santa Isabel (Maria do Céu). Também envolve o Centro Pop, responsável por serviços como emissão de documentos, inscrição e atualização do Cadastro Único (CadÚnico), além da articulação com a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), ampliando as possibilidades de inclusão social e acesso ao mercado de trabalho.
Atendimento que transforma trajetórias
Entre as pessoas acompanhadas pela equipe estava Pedro da Conceição Nascimento, de 53 anos. Atendido ao longo do dia pelos profissionais da Semfas, ele recebeu apoio para regularizar sua documentação, incluindo o processo de emissão da carteira de identidade, etapa fundamental para retomar o acesso a direitos e serviços públicos.
“Eu não tinha documento nenhum. Hoje consegui fazer minha identidade e fui muito bem atendido. Só tenho a agradecer à equipe, que ajuda quem realmente precisa e procura as pessoas para oferecer esse apoio”, afirmou.
Além da emissão de documentos, o trabalho do SEAS contempla o acompanhamento contínuo de pessoas que buscam reconstruir suas trajetórias. Uma dessas histórias é a de Silvanete Lima dos Santos, de 51 anos, que encontrou apoio na rede municipal de assistência social durante seu processo de mudança de vida.
Ex-dependente química, ela contou que iniciou sua reconstrução após ser acolhida por diferentes serviços do município, como o Centro Pop, o CAPS e o Consultório na Rua.
“O Centro POP foi a minha mão naquele momento. Passei por muitas dificuldades, mas nunca deixei de ser bem atendida. O CAPS, o Consultório na Rua, todo mundo caminhou junto comigo. Hoje tenho uma vida diferente e só tenho gratidão. Eu chamo essa equipe de ‘Anjos da Noite’, porque eles chegam para ajudar quem precisa e nunca deixam de acolher as pessoas”, relatou.
Durante a ação, outro usuário atendido foi Jenisson Batista Lemos, de 32 anos. Após a escuta realizada pela equipe, ele foi encaminhado ao Centro Pop para iniciar a emissão de documentos e acessar outros serviços da assistência social.
“É um trabalho muito importante. Muita gente passa por nós sem nem olhar, mas essa equipe chega para ajudar de verdade. Agora vou tirar meus documentos e conseguir acessar direitos que nunca tive. Isso faz diferença na vida da gente”, contou.
Além dos encaminhamentos, conforme a necessidade identificada pelos profissionais, as equipes também distribuem kits de higiene, mantas e cobertores às pessoas que recusam o acolhimento institucional, como forma de garantir cuidados básicos durante o acompanhamento.
O educador social Juliano Gonzaga, que atua há 16 anos na assistência social e integra a equipe do SEAS, destaca que o primeiro passo do atendimento é estabelecer uma relação de confiança com quem está sendo abordado.
“Mais do que entregar um kit de higiene ou fazer um encaminhamento, nosso trabalho começa na conversa. Quando a gente chega, escuta a pessoa, identifica suas necessidades e apresenta os serviços que a Secretaria oferece, como emissão de documentos, acesso ao Centro POP, benefícios eventuais e acolhimento institucional. O objetivo é fortalecer o protagonismo do usuário para que ele consiga reconstruir sua trajetória”, afirmou.
Sobre o acolhimento institucional, Juliano reforça que o ingresso acontece apenas mediante o consentimento do usuário. “A pessoa precisa querer ser acolhida. Nosso trabalho é orientar, apresentar as possibilidades e fazer o encaminhamento quando ela aceita. Cada caso é avaliado individualmente, sempre respeitando a vontade e a realidade de cada usuário”, completou.
Ao registrar e sistematizar cada atendimento, a equipe garante que as demandas identificadas durante as abordagens tenham continuidade nos equipamentos da rede socioassistencial e nos demais serviços públicos envolvidos.
Mais do que uma ação pontual, o trabalho desenvolvido pelo Serviço Especializado em Abordagem Social representa uma estratégia permanente de aproximação, cuidado e garantia de direitos, fortalecendo a atuação da Prefeitura de Aracaju na construção de uma rede de proteção social mais integrada e humanizada.
Fotos: Karla Tavares/Secom/PMA


