“Vacina Contra HPV previne câncer e não representa riscos a saúde”

Canal Viva Bem

“Vacina Contra HPV não representa riscos a saúde e protege contra o câncer do colo do útero que é a segunda maior causa de morte entre mulheres no Brasil”. A afirmação é da médica pediatra do Município de Aracaju, Ângela Marinho Barreto Fontes, que também é membro do Comitê de Mortalidade Materno e Infantil da capital sergipana e atua como responsável por eventos adversos pós-vacinais, no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais. Ângela Marinho comenta que a vacina que foi classificada por entidades de pesquisa em saúde nacionais e internacionais como comprovadamente benéfica à saúde. Em entrevista, a pediatra reforça que a vacina é segura, tanto é que na primeira fase da campanha, foram cerca de 11 mil meninas imunizadas em Aracaju e não houve nenhum caso de eventos adversos após a vacina. Confira o bate papo com Ângela Marinho:

Porque meninas e pré-adolescentes precisam receber a segunda dose da vacina?

É essencial levá-las para receber a segunda dose, pois a proteção completa contra o vírus do HPV só acontece após a aplicação das três doses da vacina. Com a primeira dose, as garotas têm o organismo protegido em 20%, já com a segunda capacidade de defesa do corpo é elevada para cerca de 80%. A última dose, que é aplicada cinco anos após a primeira conclui efetivamente a proteção.

A vacina é eficaz e segura?

Sim, quanto a isso não existem dúvidas. Avacina foi classificada por entidades de pesquisa em saúde nacionais e internacionais como comprovadamente benéfica à saúde. A vacina surgiu em 2006 e vem sendo utilizada na Europa, e em países como Austrália, EUA, Canadá, Colômbia e México. Na Austrália houve uma diminuição de 61% dos casos de câncer de colo de útero. Esse é um dado bastante animador e que levou o Ministério da Saúde a introduzir a vacina no Brasil, pois mostra que é eficiente e confiável. O material foi testado e existem mais de cinco anos de estudo em que não houve nenhum caso de evento grave ligado a aplicação da vacina.

Há casos de reações adversas graves à fórmula da vacina?

Não, existe apenas a possibilidade de meninas vacinadas apresentarem efeitos moderados que são comuns a todo fármaco, como alergia a algum componente da fórmula ou cefaléia (dores de cabeça). Mesmo assim isso é muito raro e inofensivo. Orientamos que as pessoas devem buscar a imunização e não se guiar por boatos divulgados na mídia e nas redes sociais, que nas últimas semanas divulgaram informações equivocadas sobre os casos de internação de meninas após vacinação contra HPV em Bertioga, no litoral de São Paulo.  

O que houve em Bertioga tem relação com a vacina?

O que lá aconteceu não tem relação com a imunização, naquele caso ficou comprovado que por meio de exame neurológico realizado pela Secretaria do Estado da Saúde de SP que não havia qualquer relação dos sintomas apresentados com a vacina aplicada. Depois de avaliadas por uma neuropediatra foi confirmado o resultado e o diagnóstico normal. Aconteceu que as meninas ficaram ansiosas e com medo ao fato da vacina ser injetável e temerosas por falsos boatos que ouviram. Não existe associação entre casos de paralisia ou reações severas à vacina contra o HPV.Desde quando foi implantada, a aplicação dela é monitorada e tem vigilância constante dos órgãos e entidades de saúde, através de sistema de informação online que são utilizados em conjunto em todo o mundo. Até o presente momento não existem notificações de registros de reações a vacina dentre as milhares de pessoas imunizadas.  

É mito a presença de vírus na fórmula da vacina?

Sim, essa também é uma informação falsa que tem sido divulgada por grupos em redes sociais. Na composição da fórmula da vacina não existe presença do vírus que causa o HPV. A dose é constituída com uma proteína que vai estimular o organismo a produzir o anticorpo contra o vírus.

Porque a população deve colaborar para que a vacinação alcance o maior número de meninas?

A importância da vacina contra o HPV para o Sistema Único de Saúde (SUS) é de elevado interesse público. Estima-se que o papiloma vírus esta presente em 50% dos homens no mundo e hoje de 25% a 50% das mulheres já são portadoras do vírus que pode ser transmitido pela relação sexual. A vacina nas meninas vem justamente para interromper esse ciclo de transmissão, protegendo elas antes mesmo de entrarem na fase adulta. Importante lembrar que MS começou a campanha trabalhando públicos na faixa etária de 11 a 13 anos, mas em breve reduzirá a idade para faixa de nove a 13 anos e a partir do terceiro ano apenas meninas de nove anos serão vacinadas.

O acesso à vacina através do SUS é um avanço?

Ter vacina contra HPV no serviço público é uma conquista. O governo federal investiu cerca de 360 milhões de reais para garantir a imunização gratuita para as meninas e pré-adolescentes. Pais que deixam passar a oportunidade de imunizar as filhas acabam tendo que pagar caro para poder imunizá-las na rede privada. A imunização custa em média R$ 500 a dose.