Programa Viva Bem entrevistou ginecologista para falar sobre o HPV

Canal Viva Bem

O Programa Viva Bem deste sábado, 19, abordou um tema essencial para a saúde da mulher. Magna Santana entrevistou no quadro “Alô Doutor” a médica ginecologista Carmem Luiza Leite, que tirou dúvidas dos ouvintes sobre o HPV, como se transmite, quais as formas de tratamento, formas de prevenção e também sobre a vacina. O Programa acontece todos os sábados, a partir das 8h, na Ilha FM, 102,3. 

Magna Santana: O HPV é o principal causador do câncer de colo do útero?

Carmem Luiza: Sim. Por isso que eu quero alertar as mulheres para a importância do exame de lâmina. Para você, que já faz regularmente, continue fazendo todos os anos, mas a minha intenção é alertar as mulheres que estão há 8 ou 10 anos sem fazer exame de lâmina. Esse é o único câncer que pode verdadeiramente ser prevenido, assim que iniciar a vida sexual, obrigatoriamente é preciso ir ao ginecologista e os órgãos públicos tem obrigação de oferecer esses exames, é um direito de toda mulher, é só procurar um posto de saúde mais próximo de seu bairro ou de sua cidade. Não passem mais de dois ou três anos sem fazer o exame.

MS:Como você disse esse é único câncer que tem como se prevenir. Mas o principal é o uso do preservativo? O que poderia ser feito quando não há como usar o preservativo?

CL:Sem dúvida a camisinha ainda é um fator importante na prevenção do vírus HPV, mas eu quero chamar a atenção que se tratando do HPV, da verruga, a camisinha não chega a ser 100%, então faça com que seu parceiro use, mas o mais importante é que a mulher se encaminha ao ginecologista para fazer a prevenção, esse é o exame que dá o respaldo e a segurança, para que a gente não venha ter o aumento de mulheres com o câncer de colo do útero.

MS: O mioma causa câncer? E o que é exatamente o HPV? Além da relação sexual quais as outras formas de transmissão?

CL:Com relação ao mioma não há perigo nenhum de chegar a um câncer, o importante é fazer o diagnóstico precoce para o médico encaminhar o melhor tratamento, pois o mioma é um tumor benigno que pode ser bem tratado. Já com relação ao que é o HPV, pode-se dizer que ele é um vírus que pode, na maioria das vezes, pode ser transmitido durante as relações sexuais, mas ele também pode ter outras formas de transmissão. Primeiramente quero chamar a atenção que o HPV não atinge apenas o útero, ele pode atingir a vulva, a vagina, o ânus, o pênis e a boca. Ele é um vírus que pode ser tratado, mas se não for bem tratado pode evoluir em alguns momentos e trazer o temido câncer do colo. Quando se tem alguma verruga é muito fácil de ser tratado, o mais importante é que a mulher vá ao ginecologista para fazer o diagnóstico, pois exitem o vírus benignos e malignos, alguns, em casos graves levam a realizar biopsia e radioterapia, mas não é isso que queremos, o que queremos é realizar o tratamento precoce para que haja a prevenção contra a doença.

MS:Com relação a vacina contra o HPV, a partir de que idade a mulher pode tomar?

CL:As meninas a partir de 9 anos até os 13 anos devem ser encaminhadas para tomar a primeira dose da vacina e seis meses depois deve ser tomada a segunda dose. Houve uma mudança no calendário vacinal, que a partir desse ano não é mais necessário tomar a terceira dose, pois ficou comprovado que em alguns estudos de outros países, que duas doses são suficientes para deixar as mulheres que ainda não tem vida sexual ativa imunes dos vírus temidos do HPV, que são os vírus 16 e 18, já os vírus 4, 6 e o 11, são so responsáveis pelas verrugas. Então a vacina é uma forma de prevenção, e é segura, por isso alerto as mães e os pais, não se intimidem, levem suas filhas para os postos de saúde com o cartão de vacinação e identidade, é de graça e é um direito delas. A vacina é eficaz e é um grande ganho para a prevenção dessas mulheres, pois no país morrem mais de cinco mil mulheres de câncer de colo do útero. A vacina é disponível gratuitamente para as meninas até 13 anos, mas as mulheres com até 45 anos podem procurar a rede particular para tomar a vacina, infelizmente ainda é muito cara, mas é mais uma forma de prevenção.

MS:No caso do homem que tenha o HPV, qual o sintoma nele e como ele pode identificar o vírus?

CL:Em primeira instância pode aparecer como uma verruga ou um queimor. Mas o mais importante é que a parceira tenha ido ao ginecologista e tenha solicitado ao homem a fazer a peniscopia. Quero alertar que existem muitas amputações de pênis e maioria é causado por conta do vírus HPV. Por isso não tenham medo, é preciso quebrar esse paradigma de que homem não pode ser tocado. Não adianta a mulher tratar o problema se homem não participar desse tratamento indo ao urologista para fazer a prevenção e assim os dois estarão prevenidos da doença. Uma estatística que está aumentando atualmente é os adolescentes que estão com câncer de boca, esôfago, cabeça e pescoço por transmissão do HPV através do sexo oral. Precisamos que essas barreiras sejam quebradas para fazer essa prevenção, não só para as mulheres, como também para os homens. É importante destacar que com relação ao câncer de próstata não há nenhuma relação com o HPV.

MS: Mulheres que amamentam tem menos chance de contrair o câncer de mama e de colo do útero?

CL: O câncer de mama é o que mais mata as mulheres, mas não tem nenhuma ligação com o HPV. Para o câncer de mama é importante fazer a mamografia a partir dos 35 anos, e a amamentação é um fator positivo de prevenção para as mulheres em relação ao câncer de mama, mas não tem relação ao câncer de colo do útero.

MS:Uma mulher com HPV vai desenvolver o câncer do colo do útero? Quais os outros fatores que podem desenvolver a doença? Esse câncer tem cura e é necessário a retirada do útero?

CL:Uma mulher infectado com HPV não necessariamente vai desenvolver o câncer de colo do útero, mas uma mulher que tem câncer do colo do útero teve em algum momento o HPV. Mas o HPV pode ser tratado, se tratado não vai ter o câncer, mas se não for tratado pode sim ter o câncer em algum momento. Além do HPV existem outros fatores que podem desenvolver a doença, como início de vida sexual precoce, com 13 anos de idade, mulheres que tiveram oito ou dez filhos e principalmente o não comparecimento ao ginecologista para fazer o exame. Lembrando que algumas mulheres têm mais chances de evoluir o vírus enquanto outras tem capacidade de eliminar o vírus até sem tratamento, mas depende do estado imunológico de cada paciente.  Com relação a retirada do útero, é importante fazer um tratamento ou tirar um lesão para que não evolua, existe uma conduta diferente para cada caso, então não necessariamente é preciso ser retirado o útero.

MS:O ideal é fazer o exame de lâmina a cada seis meses?

CL:Seguindo o Ministério da Saúde o ideal é fazer o exame a partir dos 25, realizando anualmente, até os 45 anos. Mas adaptando a nossa realidade, a partir do momento que a mulher inicia a vida sexual, os pais precisam conversar, quebrar paradigmas e levar suas filhas ao ginecologista, não só para prevenir a gravidez, como para fazer o exame de lâmina ou Papanicolau ou até mesmo de preventivo, como também é chamado. O ginecologista vai procurar saber como está sua vida sexual, se faz o uso do anticoncepcional e mostrará o melhor caminho, não é preciso ter medo ou vergonha, é preciso se prevenir.