Em entrevista ao Canal Viva Bem, o presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de Sergipe (Saese), Dr. André Barreto, explica como a avaliação pré-anestésica contribui para identificar riscos, individualizar o planejamento da anestesia e ampliar a segurança do paciente antes, durante e depois de uma cirurgia.
Celebrado em 17 de setembro, o Dia Mundial da Segurança do Paciente, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforça a importância da prevenção de riscos e da redução de danos evitáveis na assistência à saúde. No contexto cirúrgico, a segurança começa antes mesmo da entrada do paciente no centro cirúrgico.
Um dos momentos essenciais desse processo é a consulta pré-anestésica. É nela que o anestesiologista conhece o histórico clínico do paciente, avalia suas condições de saúde, identifica possíveis fatores de risco e define a estratégia anestésica mais adequada para cada caso.
Para falar sobre a importância desse cuidado, o Canal Viva Bem conversou com o presidente da Saese, Dr. André Barreto.
Canal Viva Bem – Dr. André, quando falamos em segurança do paciente durante uma cirurgia, qual é a importância da consulta pré-anestésica?
Dr. André Barreto – A consulta pré-anestésica é uma etapa fundamental para a segurança do paciente. É nesse momento que o anestesiologista conhece melhor a pessoa que será submetida ao procedimento, avalia suas condições clínicas, identifica possíveis fatores de risco e planeja a anestesia de forma individualizada. A segurança começa muito antes da anestesia em si.
CVB – O que é avaliado durante essa consulta?
AB – Avaliamos uma série de informações importantes, como o histórico de saúde, doenças preexistentes, alergias, medicamentos em uso, cirurgias anteriores, experiências prévias com anestesia e, quando necessário, resultados de exames. Todas essas informações ajudam o anestesiologista a compreender o estado clínico do paciente e a tomar decisões mais adequadas para aquele procedimento.
CVB – Essa avaliação pode identificar situações que precisam ser corrigidas antes da cirurgia?
AB – Sim. A consulta pré-anestésica permite identificar alterações ou condições que precisam de atenção antes do procedimento. Dependendo do caso, pode ser necessário solicitar exames complementares, ajustar medicamentos ou até encaminhar o paciente para avaliação de outra especialidade. Podemos também intervir ativamente na otimização do paciente. O objetivo é que ele chegue à cirurgia nas melhores condições clínicas possíveis.
CVB – É correto dizer que não existe uma anestesia igual para todos os pacientes?
AB – Exatamente. Cada paciente tem uma história clínica, condições de saúde, características físicas e necessidades próprias. Além disso, cada cirurgia apresenta particularidades. Por isso, não existe uma anestesia padronizada que sirva da mesma maneira para todos. O planejamento precisa ser individualizado, considerando tanto o paciente quanto o procedimento que será realizado.
CVB – Qual é a importância da conversa entre o anestesiologista e o paciente nesse momento?
AB – É muito importante. A consulta também é um espaço para diálogo. O paciente pode esclarecer suas dúvidas, falar sobre experiências anteriores com anestesia, relatar sintomas, alergias ou medicamentos que utiliza e compreender como será conduzido o cuidado. Também é essencial para reduzir a ansiedade e o medo do procedimento. Muitas vezes, uma informação que parece simples para o paciente pode ser relevante para o planejamento anestésico.
CVB – O paciente também tem um papel ativo na própria segurança?
AB – Sem dúvida. A segurança é uma construção conjunta. O paciente deve informar corretamente seu histórico de saúde, comunicar todas as alergias, informar os medicamentos que utiliza, inclusive aqueles que eventualmente não considere importantes, e tirar todas as dúvidas durante a consulta. Quanto mais completas forem as informações fornecidas ao anestesiologista, melhor será o planejamento do cuidado. O correto seguimento das orientações fornecidas também será importante para os desfechos.
CVB – E qual é o papel do anestesiologista depois que a cirurgia começa?
AB – O trabalho do anestesiologista não se resume apenas ao dormir e acordar. Durante o procedimento, ele acompanha continuamente o paciente, monitora parâmetros clínicos e toma decisões de acordo com as respostas do organismo e com as características da cirurgia. É um acompanhamento permanente durante todo o período anestésico. O anestesiologista é responsável pela vida do paciente durante todo o ato. E acompanha também o paciente durante a recuperação da anestesia.
CVB – O Dia Mundial da Segurança do Paciente chama atenção para a prevenção de danos evitáveis. Como essa discussão se relaciona com a anestesiologia?
AB – A anestesiologia está diretamente relacionada à segurança do paciente. Nosso trabalho envolve avaliação, planejamento, monitorização e tomada de decisões durante todo o procedimento. A prevenção começa justamente com uma boa avaliação e com o conhecimento das condições daquele paciente. Por isso, falar sobre segurança é também falar sobre a importância da consulta pré-anestésica e de uma atuação integrada de toda a equipe de saúde.
CVB – Que mensagem o senhor deixaria para quem vai passar por uma cirurgia?
AB – A principal mensagem é que o paciente não deve encarar a consulta pré-anestésica como uma simples formalidade. Ela é uma etapa essencial do cuidado. É o momento de conversar com o anestesiologista, fornecer todas as informações sobre sua saúde e esclarecer suas dúvidas. A anestesia segura começa com informação, avaliação e planejamento. Quanto melhor conhecermos o paciente, mais preparado estará o cuidado para atender às suas necessidades.
CVB – Para finalizar, qual é a mensagem da SAESE neste Dia Mundial da Segurança do Paciente?
AB – A mensagem é que a segurança deve estar presente em todas as etapas do cuidado: antes, durante e depois da cirurgia. Na anestesiologia, isso significa conhecer o paciente, avaliar seus riscos, planejar cada etapa e acompanhar de forma contínua. A consulta pré-anestésica é um dos primeiros passos desse processo e tem um papel fundamental para tornar o cuidado cada vez mais seguro e individualizado.


