Parceria entre universidade e escolas estimula jovens cientistas em Sergipe

Projeto desenvolvido por professoras da Unit conecta ensino básico e pós-graduação para despertar vocação científica em meninas que estudam na rede pública

Um projeto desenvolvido por professoras dos programas de pós-graduação da Universidade Tiradentes (Unit) visa estimular meninas que cursam os Ensinos Médio e Fundamental em escolas públicas a ingressarem na carreira acadêmica e na pesquisa científica, através das disciplinas relacionadas à chamada Área STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática). Trata-se do projeto “Meninas na Ciência? Sim, Sinhô! Tecnologia, Saúde e Mudanças Climáticas”, realizado desde 2024 a partir da parceria entre a Unit, o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), o Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (em Capela), a Escola Municipal José Ferreira Carvalho (também de Capela) e o Colégio Estadual Frei Inocêncio (no povoado Sobrado, Nossa Senhora do Socorro).

Na última sexta-feira, 27, 38 alunos do Ensino Fundamental do Colégio Frei Inocêncio passaram o dia no Campus Farolândia da Unit, onde realizaram uma série de atividades de imersão nos laboratórios do ITP. Neles, os alunos puderam interagir diretamente com uma série de pesquisas desenvolvidas nestes espaços. “Nesse estágio, eles vieram para fazer atividades de laboratórios experimentais de química e de construção de filtro com material descartável para tratamento de água. Também passaram por laboratórios onde fizeram microscopia, computação de informática para aprender simulação, movimento da física no computador, e outros temas”, explicou a professora Cláudia Moura de Melo, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS), que é orientadora do projeto.

O “Meninas na Ciência? Sim, Sinhô!” tem o objetivo de envolver os estudantes em atividades de pesquisa científica, ensinando suas noções básicas e apresentando as suas várias possibilidades de atuação; incluindo nos ramos do empreendedorismo, da inovação e da comunicação. As escolas parceiras disponibilizam a infraestrutura para as atividades e acompanhamento de professoras das disciplinas STEM, além de promover oficinas e eventos como feiras de ciência.

Uma das professoras que acompanham o trabalho das docentes da Unit no Meninas na Ciência é Camila Dantas de Carvalho, que ensina Biologia no Colégio Frei Inocêncio. Ela é egressa da Unit, onde fez a graduação em Ciências Biológicas e o então mestrado em Saúde e Ambiente (PSA), com orientação da professora Cláudia Melo. O retorno à antiga casa se dá através do acompanhamento às alunas da escola pública que já desenvolvem atividades de cunho científico, incluindo a promoção de feiras de ciência. “É uma oportunidade de trazer esses meninos e meninas, que muitas vezes ficam apenas nos seus bairros, para olhar um ambiente institucional, a sua dimensão, as diferentes formas de comunicação e interação. Como professora e como egressa da instituição onde eu me formei, é uma realização que valoriza a educação básica do Brasil”, diz ela, orgulhosa.

Sabrina Raiane de Araújo dos Santos, que mora no povoado Sobrado e cursa o sétimo ano do Ensino Fundamental no Frei Inocêncio, é uma das alunas impactadas pelo “Meninas na Ciência? Sim Sinhô!”. No ano passado, quando cursava o sexto ano, ela e suas colegas ganharam um prêmio na feira de ciências promovida pela escola, com um experimento à base de argila. “Foi muito legal ver as plataformas que piscam, ver as conchas, os caracóis… Eu gosto muito de ciências, e acho que é a minha melhor matéria. Não tem muita explicação: é porque eu gosto mesmo”, diz ela, que se imagina no futuro como uma influenciadora na área de tecnologia e internet.

Outros incentivos

Esta turma de estudantes já teve uma primeira etapa de imersão, que incluiu atividades de produção de podcasts no Centro de Comunicação Social da Unit (CCS). Agora, além das atividades nos laboratórios, um almoço foi oferecido no Centro Gastronômico do Campus Farolândia. Nele, os alunos de Gastronomia da Unit, envolvidos com o projeto Restaurante-Escola (que já funciona internamente para colaboradores), elaboraram um cardápio adequado para crianças e adolescentes.

“Fizemos questão de colocar elementos saudáveis, como uma salada, uma proteína…, mas não esquecemos a batata frita de forma moderada. Procuramos apresentar isso de forma que eles percebam que a gastronomia não é só o alimento em si, mas todo um conjunto de do que você escolher como apresentar, o sabor, o aroma. Pudemos também mostrar para eles as nossas instalações e o que o profissional de gastronomia pode realizar. É bom a gente perceber esse incentivo e poder colaborar de alguma forma com esse grupo de futuros cientistas”, destacou a professora Isabelle Brito, do curso de Gastronomia.

O projeto conta com seis bolsas de iniciação científica júnior e uma bolsa de Iniciação Científica, através de um edital de financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec) e da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM). Com isso, as estudantes desenvolvem projetos científicos sob a orientação de professores da universidade, incluindo docentes dos programas de mestrado e doutorado, proporcionando uma experiência acadêmica enriquecedora.

Outros projetos

O “Meninas na Ciência? Sim, Sinhô!” faz parte do “Meninas na Ciência”, projeto nacional da comunidade científica que tem o objetivo de incentivar de meninas estudantes dos ensinos fundamental e médio em escolas públicas a ingressarem nas carreiras acadêmicas e profissionais da Área STEM. “Vamos dar continuidade a esse trabalho para dar acesso à essa formação científica inicial para mais alunos de mais escolas do estado inteiro. O objetivo é plantar uma sementinha na formação dos jovens cientistas ainda no ensino fundamental e mesmo médio. Queremos incentivar a entrada desses alunos na ciência, principalmente os alunos das escolas públicas de outros municípios, pois eles têm menos acesso a uma universidade”, afirma Cláudia Melo.

Na Unit, outros dois projetos de pesquisa também são realizados dentro da iniciativa nacional: o “Mulheres na Nanociência: Conhecimento e Inovação para Cientistas e Profissionais do Futuro”, coordenado pela professora Patrícia Severino (PBS/Unit), e o “Licuri Sustentável: Promovendo Talentos Femininos na Ciência e Tecnologia através da Biotransformação de Óleo Natural para a Produção de Produtos de Higiene Ecológicos”, orientado pela professora Cleide Mara Soares (PEP/Unit). As outras escolas sergipanas contempladas atualmente por esses projetos são o Colégio Estadual Djenal Tavares de Queiroz (Moita Bonita); o Colégio Municipal Josué Passos (Ribeirópolis); o Centro de Excelência Miguel das Graças (São Miguel do Aleixo), a Escola Municipal José Ferreira Carvalho (Capela) e o Centro de Excelência Edelzio Vieira de Melo (Capela).

Texto e foto: Asscom Unit