
Falta de preparo e execução inadequada de exercícios estão entre as principais causas das lesões, que respondem por até metade dos traumas no esporte; fisioterapia e musculação orientada são fundamentais para evitar complicações
As preparações para grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, atraem ainda mais a atenção do público para as lesões musculares sofridas pelos atletas, em meio aos treinos ou mesmo nas próprias partidas. Entre os que se preparam para disputar a Copa 2026 na América do Norte (Canadá, Estados Unidos e México), mais de 20 jogadores de destaque correm o risco de não serem convocados por suas seleções nacionais, pois ainda se recuperam de lesões, torções e contusões graves. E para outros, o sonho de disputar o torneio não será possível. Destacam-se o caso de dois brasileiros que jogam no Real Madrid (Espanha): o atacante Rodrygo, que rompeu o ligamento do joelho direito; e o zagueiro Éder Militão, com lesão crônica na coxa esquerda.
Mas, para além dos grandes jogadores de futebol ou atletas de alto rendimento, muitas pessoas comuns que praticam esportes, exercícios mais intensos (como o crossfit) ou mesmo fazem musculação na academia também estão sujeitas a lesões musculares. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as lesões musculares respondem por até 55% de todas as lesões no esporte, devido a fatores como longos períodos de afastamento do esporte, reincidências de lesões anteriores, perda de rendimento esportivo e mau preparo para a prática de exercícios físicos.
As lesões são momentos em que os músculos do corpo não aguentam o esforço e dão sinais de que precisam de um descanso ou cuidado melhor. Em geral, elas acontecem quando as fibras de determinado músculo são esticadas, contraídas ou impactadas com força ou carga além da sua capacidade, causando rompimento, inchaços, câimbras ou estiramentos. “Independente da lesão, eu tenho uma reação de defesa desse organismo. Ou seja: as células de defesa vão para a região dessa lesão e isso gera um processo inflamatório para iniciar o processo natural de reorganização desse tecido que foi lesionado”, explica o professor Lucas Moraes Rego, do curso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes (Unit).
A partir do momento em que a lesão acontece, dá-se início ao processo de recuperação, que deve seguir duas etapas: a fisioterapia e a musculação, que se executada da forma correta, ajuda a fortalecer os músculos e auxiliar na recuperação. “O fortalecimento é fundamental, porque a musculatura precisa de força para funcionar, e é lógico que a musculação é recomendada, mas tem a etapa da fisioterapia. Então, o fisioterapeuta é quem vai fazer a recuperação desta lesão, iniciando essa atividade de fortalecimento. Após a lesão, esse indivíduo vai ser encaminhado para o profissional de Educação Física para fazer a parte de musculação e fortalecimento específico”, detalhou Lucas.
Ainda de acordo com o professor, a execução de uma série de exercícios provoca no organismo um processo inflamatório e pequenas rupturas que estimulam o crescimento da musculatura. “Além disso, são liberadas substâncias em todo o organismo, que são benéficas para o nosso organismo, como endorfinas e outras substâncias que fazem bem de forma orgânica e geral. A dor muscular após exercício, que é aquela sensação de dolorido da musculatura, é uma reação normal desse processo inflamatório”, diz o professor, acrescentando que tal processo dura normalmente entre 24 e 48 horas depois do exercício.
Apesar dos benefícios, a forma como cada exercício é feito é um importante ponto de atenção, pois pode surtir o efeito contrário, ou seja, a piora da lesão, caso haja erros ou má orientação na execução. de acordo com Lucas, se a dor muscular persistir por mais de 48 horas, ou se acontecer algum tipo de edema, é sinal que houve algum tipo de lesão ou má execução desse exercício.
“É óbvio que há uma necessidade de uma sobrecarga muscular para que o músculo cresça, mas a execução do exercício e a prescrição correta do tipo de exercício são fundamentais para que não haja nova lesão. Então, é importantíssimo ter uma boa supervisão, tanto da fase inicial de tratamento com fisioterapeuta, quanto na fase de aplicação da musculação pelo profissional da educação física. Um exercício bem prescrito e bem aplicado dificilmente vai trazer malefício para o indivíduo”, conclui o professor.
Autor: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit



